a flor elegante e bela,
cheirosa como sempre,
firma suas raízes na terra
para manter a pose até o fim.
O vento fraco chega sutil
paciente...
chacoalha suas folhas levemente
traz frescor
e um desafio:
tomá-la em uma viagem pelos ares.
A flor se mantém firme
faz charme...
mas um sopro constante
espalha seu doce perfume
que paira...
Sua fragrância se sobressai
às outras tantas.
Um acréscimo de orgulho que ganha.
Parte dela já está entregue.
Um balanço...
Uma dança...
Uma sensação obscura...
Logo está nas alturas
onde tudo gira.
Desejou a eternidade por um instante.
Um sussurro lhe alcançou o pólen
sua fraqueza...
descobriu os sentidos mágicos da natureza
com um simples toque
fez lhe tremer o caule...
Finalmente!
A mesma flor elegante
agora suada...
desajeitada...
dividida entre o pecado e a glória.
O vento fraco
desprovido de qualquer beleza
canta vitória
mas não vai embora
apenas se afasta
para que a flor se recupere
sob o calor intenso
extasiada...
lentamente...
e logo deseje sentir o frescor
novamente.

(texto - Phininho / foto - Claudia Casella)


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